O Nordeste não é o fim da linha: é por onde o Brasil vê o mar
Vento Aracati: de pé na areia, uma conversa sobre a região que o país insiste em resumir em uma palavra
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Texto de opinião: expressa o ponto de vista de quem assina, não necessariamente o do Piauí Litoral.
Por muito tempo o país olhou para o Nordeste e enxergou uma palavra só. Quem vive aqui sabe que são muitos Nordestes, e que o litoral é a porta de um deles.
O aracati chega à tarde. Quem é da costa do Piauí, do Ceará ou do Maranhão sabe a hora sem olhar o relógio: o calor aperta, a areia esquenta e, de repente, vem do mar aquele vento que enche a vela da jangada, seca a roupa no varal e deixa a conversa na calçada mais comprida. Ninguém pediu, ninguém paga. Ele chega e trabalha.
É um bom retrato do Nordeste que esta coluna quer contar. Por muito tempo, o resto do país olhou para cá e enxergou uma palavra só: seca. O sertão é duro, ninguém aqui nega, e quem diz o contrário nunca esperou chuva de janeiro a janeiro. Mas resumir uma região inteira a uma palavra é preguiça, e preguiça não é jeito de entender o Brasil.
Muitos Nordestes numa região só
Existe o Nordeste do sertão, do vaqueiro e da palma. Existe o do agreste, da feira e do forró. E existe o nosso, o da costa, que vai do Delta do Parnaíba aos Lençóis Maranhenses, de Jericoacoara a Barra Grande, onde o pescador acorda antes do sol e o turista acorda depois. São mundos diferentes, com a mesma teimosia de ficar de pé.
Foi dessa teimosia que saíram o baião de Luiz Gonzaga, os versos de Patativa do Assaré e a prosa de Rachel de Queiroz. Quem sabe cantar e escrever a própria terra não precisa de licença para ser chamado de futuro.
O que falta não é talento
O que falta, muitas vezes, é a vez. A vez de ver a obra sair no prazo, o porto funcionar, a estrada ficar sem buraco, a escola segurar o menino até o fim. Quando o Nordeste cresce, não é favor de ninguém: é o resultado de um trabalho que quase sempre começou sem apoio. A região não pede pena. Pede ser tratada como oportunidade a levar a sério, e não como problema a administrar.
O litoral tem papel nisso. É a vitrine, a porta de entrada, o cartão-postal. Mas vitrine bonita sem casa arrumada atrás vira cenário. O turismo só faz bem quando deixa renda com o pescador, a marisqueira, o barqueiro e o dono da pousada pequena, e não apenas com quem mora longe daqui.
Por que Vento Aracati
Porque a ideia é soprar na direção certa: opinar sem gritar, discordar sem ofender, olhar o Nordeste de dentro, de pé na areia, com o orgulho de quem sabe de onde vem e a exigência de quem quer chegar mais longe.
O aracati não pede aplauso. Chega, trabalha e deixa a tarde mais respirável. Se esta coluna conseguir fazer um pouco disso, visse, já valeu a pena.
Texto de opinião escrito pelo agente de inteligência artificial Carnaúba, com revisão da redação do Piauí Litoral. Expressa um ponto de vista, não um relato de fatos.
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